Primeiro coração em 3D: cientistas o imprimem usando células do próprio paciente

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Tel Aviv revelou ter criado um coração feito com tecido do próprio humano que precisa receber o transplante

Na segunda-feira, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Tel Aviv revelou um coração feito das células e do material biológico do próprio paciente, que foi construído a partir de uma impressora 3D. O avanço foi publicado na revista Advanced Science, e conseguiu produzir um coração inteiro, com células, vasos sanguíneos, ventrículos e câmaras – uma melhoria significativa em relação às tentativas anteriores que apenas imprimiam tecidos simples sem vasos.

“Esta é a primeira vez que alguém em qualquer lugar conseguiu projetar e imprimir um coração inteiro repleto de células, vasos sanguíneos, ventrículos e câmaras”, disse o professor Tal Dvir, que comandou a equipe. “As pessoas conseguiram imprimir em 3D a estrutura de um coração no passado, mas não com células ou vasos sanguíneos”.

O processo de criação do coração começou com uma biópsia e retirada de tecido adiposo do paciente. O material celular dos tecidos foi usado como “tinta” para o trabalho de impressão e isso permitiu aos pesquisadores criar modelos complexos de tecidos, incluindo adesivos cardíacos e o coração inteiro. Deve-se notar que o coração não é muito grande – é apenas do tamanho do coração de um coelho. Entretanto, a tecnologia que o tornou possível poderia eventualmente levar à produção de um órgão de tamanho humano.

O próximo passo, segundo a equipe, é ensinar os corações a operar em humanos, mas primeiro, eles irão transplantá-los em animais e posteriormente em pessoas. A esperança é que dentro de “10 anos, haverá impressores de órgãos nos melhores hospitais do mundo, e esses procedimentos serão conduzidos rotineiramente”, disse Dvir. Essa seria uma boa solução para diminuir as filas por transplantes, que hoje podem demorar anos de espera.

Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) inicia sessão sobre a votação reforma da Previdência; acompanhe ao vivo

Após uma sucessão de tropeços na articulação política do governo, a proposta de reforma da Previdência pode ser votada no plenário da CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (17).

Trata-se do primeiro teste para a PEC (Proposta de Emenda à Constituição), entregue pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao Congresso Nacional há pouco menos de dois meses. Para avançar, o texto precisa contar com apoio de metade mais um voto entre os membros do colegiado.

A sessão de votação está marcada para as 10h (horário de Brasília) e ocorre graças a esforços do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do presidente da CCJC, deputado Felipe Francischini (PSL-PR), que se esforçaram pela conclusão da etapa de discussão da matéria na véspera. 

Acompanhe ao vivo a sessão desta quarta-feira pelo vídeo abaixo:

A expectativa é que haja forte obstrução por parte da oposição, que tenta fazer com que a votação passe para a semana que vem, após o feriado de Páscoa. A procrastinação é arma tradicionalmente usada no processo legislativo por grupos contrários às matérias em discussão.

O governo, por sua vez, depende de um quórum elevado para concluir esta etapa da tramitação da proposta, que ainda precisa passar por comissão especial e pelo plenário, onde é necessário apoio de 3/5 (o equivalente a 308 deputados) em dois turnos. Passadas essas etapas, a proposta segue para o Senado Federal.

Ontem, a sessão de discussão sobre o relatório do deputado Delegado Marcelo Freitas (PSL-MG) para a reforma previdenciária durou mais de 12h. As discussões terminaram às 23h28, com um acordo de lideranças selando o fim da etapa de exposição de argumentos sobre a proposta.

Para que o processo fosse encerrado, vários parlamentares favoráveis ao texto abriram mão de suas falas. No início da noite, dos 62 deputados que estavam inscritos a falar a favor da reforma e 65 contra. No total, 19 parlamentares falaram a favor, 55 contra e 14 líderes partidários.

Dólar sobe para R$ 3,90 pela falta de credibilidade do governo no mercado

Moeda norte-americana tem alta de 0,85% com a baixa capacidade do Executivo em dialogar com o Legislativo; Ibovespa sobe 1,34% puxado pelo mercado externo

A credibilidade do governo Bolsonaro tem piorado perante os investidores estrangeiros. Com isso, o dólar fechou com alta de 0,85% nesta terça-feira, 16, cotado a 3,90 reais em seu valor de venda –no maior valor da moeda em 18 dias. A preocupação dos investidores é com a baixa capacidade de o Executivo em dialogar com o Legislativo.

Após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara não ter votado a admissibilidade da reforma da Previdência na segunda-feira, 15, o mercado financeiro reagiu negativamente, segundo o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel. “O real problema do preço elevado do dólar no Brasil é a política”, afirma.  

O investidor estrangeiro não tem confiança de que o governo tenha capacidade de convencimento no Congresso, segundo Battistel. “Sem credibilidade, não entra dinheiro”, completa

O cenário externo provocou alta de 1,34% no Ibovespa nesta terça-feira, 16. O índice encerrou aos 94.333,31 pontos com valorização das commodities e com notícias positivas para os frigoríficos brasileiros.

Com a alta do valor do petróleo no mercado internacional, as ações da Petrobrasvoltaram a subir. Os papéis ON, que dão direito a voto (PETR3), se valorizaram 3,57%, e os PN (PETR4), os mais negociados, 3,05%. O minério de ferro também teve seu preço elevado no mercado internacional, o que permitiu a subida de 3,45% da Vale. Ambas empresas possuem grande importância para o andamento do índice da bolsa de valores.

Os frigoríficos lideraram as altas do pregão com a abertura de mercado na Ásia. O surto de febre africana pode prejudicar a produção de carne tanto suína como bovina na China, o que abre mercado para exportação, segundo Vitor Beyruti, economista da Guide investimentos. A JBS viu suas ações se valorizarem em 8,48%, a Marfrig, em 7,42%, e a BRF, em 6,26%.

“(No cenário interno), temos uma visão escura, que hoje ficou em segundo plano, pela positividade do mercado externo”, afirma Beyruti.

Presidente Jair Messias Bolsonaro foi eleito pela Revista ‘Times’ como um dos 100 homens mais influentes no Mundo

Presidente é o único brasileiro a figurar na lista, divulgada nesta quarta-feira

A revista americana Time elegeu o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2019. Bolsonaro é o único brasileiro na lista, divulgada nesta quarta-feira, 17.

O texto é assinado pelo cientista político Ian Bremmer, da consultoria Eurasia Group, que colabora para a Time. Bolsonaro é definido pela revista como um “personagem complexo”.

Por um lado, o presidente é apresentado como “a melhor chance em uma geração de promulgar reformas econômicas capazes de conter o déficit crescente”. Por outro, é “garoto-propaganda de uma masculinidade tóxica e um ultraconservador homofóbico com a intenção de travar uma guerra cultural e talvez reverter os avanços do Brasil em atacar as mudanças climáticas”.

Em seu relato, Bremmer faz um elogio ao Brasil. Diz que o “apetite por controvérsia” de Bolsonaro não é capaz de ocultar o fato de que o país tem “instituições que poderão limitar o bem e o mal que ele poderá fazer”. Para o cientista político, será decisivo para o futuro do governo saber se o presidente aprenderá a “trabalhar com o sistema”. “O tempo vai dizer se ele terá a flexibilidade e a resiliência de caráter que ele necessita.”

Líderes mundiais

A lista divulgada pela Time também inclui outros dois latino-americanos entre os mais influentes na categoria de líderes mundiais. São eles o presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó, que comanda o movimento de não-reconhecimento do mandato do ditador Nicolás Maduro, e Andrés Manuel López Obrador, político à esquerda que se elegeu presidente do México em uma exceção ao atual cenário político vivido pela América Latina.

A relação, como é esperado, inclui também o presidente Donald Trump, mas ele não é o destaque da capa especial destinada aos líderes, espaço que foi concedido para a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi. Outra opositora relevante de Trump que foi incluída na lista foi a atual sensação da esquerda americana, a deputada Alexandria Ocasio-Cortez.

Na linha de líderes mundiais à direita, a revista também incluiu Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e ministro do Interior da Itália, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Feminicídio no Grande Rio: 80% dos acusados em 2018 já estão presos

Levantamento do G1 é baseado nos dados do Tribunal de Justiça, com casos de feminicídio em em andamento na Justiça. Especialistas consideram dado ‘positivo’, 4 anos após lei que qualifica crime.


Em 80% dos casos de feminicídio no Rio de Janeiro em 2018, os autores estão presosG1 RJ–:–/–:–

Em 80% dos casos de feminicídio no Rio de Janeiro em 2018, os autores estão presos

Oito em cada dez réus por feminicídio cometidos no Grande Rio em 2018 estão presos. É o que mostra um levantamento exclusivo do G1, que inicia nesta quarta-feira (17) uma série de reportagens sobre o tema.

A pesquisa, baseada nos dados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), identificou 47 ações penais com essa tipificação na Região Metropolitana – área de 21 municípios formada pela capital, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, as 13 cidades da Baixada Fluminense mais Tanguá, Cachoeiras de Macacu e Rio Bonito.

Dos 47 processos analisados, 38 acusados estão detidos com prisão preventiva decretada, um número que equivale a 80%. Entre os presos, um já foi condenado e outros oito têm julgamento marcado.

A pesquisa aponta ainda que quatro acusados respondem ao processo em liberdade (veja os dados abaixo) e cinco estão foragidos.

Um dos procurados é Paulo Fernando de Lima Júnior, acusado de matar a namorada Claudia Miotello da Silva, em agosto, em Queimados.

“Rezo todo dia pra que ele seja preso, pela dor que ele causou à minha mãe e a todos”, diz Lucas Miotello, filho da vítima.

O Observatório Judicial da Violência Contra a Mulher aponta que em todo o estado do Rio foram registrados 88 casos de feminicídio em 2018, entre eles estão casos do Sul e interior do RJ e também crimes de tentativa de feminicídio, que não foram analisados no levantamento feito pelo G1.

80% dos acusados de feminicídios cometidos na Região Metropolitana do RJ em 2018, com caso na Justiça, estão na cadeia — Foto: Igor Estrella/ Arte G1

80% dos acusados de feminicídios cometidos na Região Metropolitana do RJ em 2018, com caso na Justiça, estão na cadeia — Foto: Igor Estrella/ Arte G1

Embora o número das prisões referentes aos crimes do ano passado não possa ser comparado aos anos anteriores – pois não existem levantamentos com esses dados – especialistas consideram “relevante e positivo” o fato de terem sido efetivadas 80% de detenções.

“É um dado relevante, de alguma forma, até positivo. A gente comemora o número de prisões, isso é importante porque o sistema de Justiça está ali dizendo: ‘É um crime grave, precisa haver efetividade e punição para esses agressores’. Mas, ao mesmo tempo, quando vemos esse número elevado, também discutimos em que tipo de sociedade a gente está vivendo, tão polarizada, onde a cultura do ódio, da dominação, ainda está tão presente”, opina a juíza Adriana Ramos de Mello, titular do 1° Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.

Entre os casos que ganharam destaque no ano passado estão o da corretora Karina Garofalo, executada a tiros em agosto, no Recreio, na frente do filho, a mando do ex-marido; o de Patrícia Mitie Koike, espancada pelo namorado até a morte após discussão no mês abril, em Nova Iguaçu; e o de Cristiane Ferreira da Silva, assassinada pelo namorado com um tiro de fuzil na frente da filha no Jacarezinho. Todos os acusados pelos crimes estão presos.

“Infelizmente, a minha prima não volta mais. Não sei se eu fico contente só com a prisão dele, porque sabemos que as penas no Brasil são brandas e o Rafael [ex de Cristiane] é um monstro. Ficaria mais tranquila se ele ficasse preso eternamente. Ele cometeu um crime de tamanha crueldade que não dá pra comparar com mais nada no mundo. Sentimos muita falta da Cristiane. Peço às mulheres que se afastem ao menor sinal de abuso, seja físico ou verbal”, alerta a cantora Lanor, do grupo Donas, prima de Cristiane.

Vítimas de feminicídios cometidos em 2018 na Região Metropolitana do RJ — Foto: Reprodução/ Redes sociais

Vítimas de feminicídios cometidos em 2018 na Região Metropolitana do RJ — Foto: Reprodução/ Redes sociais

Qualificadora do homicídio

O feminicídio passou a ser uma qualificadora do crime de homicídio em 2015, com a lei federal 13104/2015. Desde então, instituições como a Justiça, o Ministério Público e as polícias Civil e Militar estão dando mais visibilidade aos casos. Entretanto, a juíza ressalta que o comportamento do sistema de Justiça e da sociedade em relação aos agressores passou a mudar há menos tempo.

“É importante que esses crimes tenham uma resposta efetiva porque é um crime que atinge toda a sociedade. O que mudou em relação à Justiça e à quantidade de prisões é que até antes da lei do feminicídio havia uma relativização em relação a esses crimes ou à gravidade desses crimes”, explica a magistrada.

A juíza ainda reforça que os agressores sempre achavam uma brecha para a soltura ou para terem suas penas atenuadas.

“Sempre se tentava, de alguma forma, patologizar esse agressor, ou colocando ele como uma pessoa doente ou sob efeito de álcool ou de drogas, ou ainda dizendo que ele não fez um mal à sociedade e, sim, especificamente a uma determinada mulher. Agora, com a lei, a gente observa uma mudança de paradigmas na sociedade e também no sistema de Justiça. É um crime grave. Essa pessoa precisa ser segregada da sociedade com a sua prisão”, justifica Adriana.

Cena de um crime de feminicídio que ocorreu na Zona Norte do Rio — Foto: Divulgação

Cena de um crime de feminicídio que ocorreu na Zona Norte do Rio — Foto: Divulgação

Uma vítima a cada 7 dias

Apenas nos dois primeiros meses do ano, oito mulheres foram vítimas de feminicídio – sendo 5 delas assassinadas por conhecidos e 3 por atuais companheiros – e 63 sofreram tentativa de feminicídio. Os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), com casos registrados em todo o estado nos meses de janeiro e fevereiro de 2019, apontam que uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 7 dias no RJ.

“Uma mulher morrer a cada 7 dias no Rio de Janeiro é um índice alto e alarmante. Ao mesmo tempo que esse índice nos assusta, ele tem o poder de mostrar que esse crime precisa ser investigado. Ninguém acorda num dia e resolve matar sua esposa ou ex-esposa. Na verdade, o feminicídio é a reta final de uma cadeia de vários crimes que aconteceram anteriormente”, comenta a deputada Martha Rocha, que preside a CPI do Feminicídio instaurada em fevereiro na Assembleia Legislativa do Rio de janeiro (Alerj).

“Hoje, com a visibilidade desse crime de ódio, que afeta mulheres de diferentes camadas sociais, o lado positivo disso é que as pessoas entenderam que esse crime tem que ter a efetividade da prisão, da punição e que a gente não pode tolerar a impunidade nos casos de feminicídios”, analisa Martha Rocha.

Novos protocolos para investigação

Entre as ações previstas pela CPI do Feminicídio estão visitas às delegacias de mulheres, aos centros de acolhimento às vítimas, e também a convocação de representantes da Polícia Civil e do Judiciário para entender por que há tantas falhas nas medidas protetivas.

A deputada ressalta ainda que a CPI tem como objetivo diagnosticar o problema e estabelecer estratégias de enfrentamento.

“Por conta do aumento de casos, nós entendemos a necessidade de se fazer uma CPI sobre o feminicídio, que pretende fazer um diagnóstico desse problema e depois estabelecer estratégias de enfrentamento para reduzir o número de casos e para garantir a punição dos autores desse crime. Ao final, a CPI vai oferecer um relatório com recomendações e protocolos pra que sejam acolhidos pelos poderes do estado, Justiça, Polícia, Ministério Público, pela Defensoria, até mesmo unidades de saúde, e todos esses atores que integram a rede de proteção à mulher”, explica a deputada.

O G1 foi às ruas perguntar para as pessoas questões sobre o crime de feminicídio — Foto: Reprodução/G1

O G1 foi às ruas perguntar para as pessoas questões sobre o crime de feminicídio — Foto: Reprodução/G1

O que é feminicídio?

G1 foi às ruas perguntar para as pessoas questões sobre o crime. Algumas não sabiam do que se tratava, outras confundiam o feminicídio com agressão contra a mulher, e houve também questões sobre a necessidade de tipificar o crime.

Muitos dos entrevistados ouvidos consideraram que os feminicidas não são punidos e outros ainda acreditam que os casos aumentaram por conta do pensamento machista da sociedade.

A promotora Lúcia Iloizio, que coordenava o Centro de Apoio Operacional Violência Doméstica/ MPRJ, esclarece algumas dúvidas sobre o feminicídio e faz questão de reforçar, assim como afirmou a deputada Martha Rocha, que esse crime é a última etapa de um ciclo de violência contra a mulher, que resulta na morte dela.

“É possível que muitas pessoas ainda tenham dúvida sobre o que é feminicídio. Mas a gente não tem como falar de feminicídio sem falar antes sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher”, explica.

Há duas hipóteses de feminicídio, segundo a promotora:

  • decorrente de um contexto de violência doméstica contra a mulher;
  • quando o assassino menospreza ou tem ódio à condição de mulher.

“A grande maioria desses crimes acontece dentro das relações íntimas de afeto, praticado na maioria das vezes por parceiros ou ex-parceiros”, acrescenta Iloizio.

Alerta para ciúmes excessivo

“O feminicídio, normalmente, vai decorrer de um histórico de uma relação abusiva onde várias violências e violações do direito da mulher foram cometidos. O feminicídio vai ser apenas a parte final dessa violência, quando a mulher é morta. Fica aqui o nosso alerta para a questão do ciúme. Muitas relações abusivas têm início com a demonstração excessiva de ciúmes do parceiro. Ciúmes não é demonstração de amor, é a necessidade de controle, posse e domínio sobre a parceira e que, mutas vezes, vai resultar em uma situação de feminicídio.”

Por que os casos têm aumentado?

“Infelizmente, o aumento de casos é um fato, é o que temos observado. Isso se atribui ao menosprezo àquela parceira, à falta de respeito e ao machismo, que, muitas vezes, impõe ao homem o controle sobre aquela parceira ou ex-parceira. Ainda está no inconsciente da sociedade que o homem é o dominador da relação e, infelizmente, o feminicídio ocorre pela necessidade de controle daquela mulher, por ciúmes, insatisfação e outros motivos.”

Por que tipificar apenas as mortes de mulheres?

“As mulheres que são mortas num contexto de feminicídio são mortas numa situação muito diferente da que muitos homens são mortos. Os homens são mortos mais em contexto de violência urbana. Já a mulher, não. A mulher, geralmente, é morta por aquele que é mais próximo a ela. E mais: a brutalidade em que esses atos de violência são praticados, as marcas que são deixadas nos corpos das mulheres demonstram um ódio àquela condição. Elas ficam com rostos deformados, são mortas com muitas lesões no corpo. E outra: são mortas com qualquer objeto que aquele homem tenha à mão, desde arma de fogo até pedaço de madeira.”

Operação da polícia prende suspeitos de crime contra a mulher no RJ — Foto: Reprodução/Globo News

Operação da polícia prende suspeitos de crime contra a mulher no RJ — Foto: Reprodução/Globo News

‘Angústia x alívio’

Em conversa com o G1, Gilvan Silva Ferreira, inspetor da Polícia Civil que atua em interrogatórios na Delegacia de Homicídios da Capital, avaliou o comportamento dos feminicidas.

“O sentimento deles é sempre o mesmo. Obsessão, possessividade, olham a mulher como um produto, um bem deles. Quando são interrogados, percebo que eles estão satisfeitos de terem cometido o crime. O exercício da destruição daquela mulher, que eles enxergam como um objeto, é um alívio para eles porque a angústia passa”, comenta Gilvan.

A maioria dos feminicidas, segundo o investigador, não sente arrependimento pelo que fez.

“Não existe arrependimento quando se quer se livrar de algo. É a angústia que ele sente ao ver aquela mulher no dia a dia e o alívio que sente ao matá-la. Nos casos de feminicídio, existe a objetificação da mulher. O homem não vê mais uma pessoa, ele vê um objeto. Não há mais humanização na relação porque aquela mulher foi ‘coisificada'” .

“Eles querem destruir aquele objeto que, na visão deles, é fonte de raiva, angústia, impotência. Depois que destrói o objeto, sente alívio. O feminicida fica cego, ele só vê algo que o afronta, que o desafia, que lhe causa dor. Dizem que não conseguem dormir, trabalhar, e que só se sente aliviado quando mata a mulher. A evidência da raiva, do ódio, é que muitas vezes os ataques são direcionados ao rosto, com muita crueldade”, acrescenta Gilvan.

Serviço

Para denunciar abusos e agressões contra mulheres, qualquer cidadão pode entrar em contato com a Central de Atendimento ao Cidadão pelos telefones 2334-8823/ 2234-8835, ou pelo Disque Denúncia pelo telefone 2253-1177.

A pessoa também pode procurar a Delegacia de Atendimento à Mulher mais próxima e também pode pedir ajuda na Defensoria Pública ou pelo site do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Os melhores tapetes para o ano de 2019

Seja em casa, no escritório, na empresa ou em qualquer outro ambiente, sempre se pensa em decoração. Há a necessidade de arrumar o local com harmonia de modo que os visitantes e os próprios donos sintam-se bem.

Em ambientes corporativo, a decoração não está atrelada somente a harmonia do local, ela está ligada também as ferramentas de marketing.

Em condomínios, por exemplo, é necessário que os possíveis futuros moradores sintam o aconchego do lugar e vejam nele o ambiente para se estabelecerem. Então mostraremos algumas funcionalidades de tapetes.

Os tapetes personalizados são a divulgação da sua marca de modo não clichê, inovador e sutil. Não soa como algo forçado para seus clientes nem gritante. É suave.

Não é gritante mas todos o percebem pois todos passam pelos tapetes em entradas em saídas. Ele é tendência de marketing e elegância para 2019. Invista em tapetes personalizados e atraia seus visitantes para se tornarem seus clientes.

Os tapetes para condomínio reforçam a marca para os que já são moradores e têm a função de passar segurança, qualidade, conforto de vida para os visitantes que desejam comprar um apartamento, por exemplo. Eles também recepcionam os visitantes dos próprios moradores e pode despertar neles a curiosidade e vontade de morarem no mesmo lugar. Os tapetes fornecem elegância e uma ótima recepção a quem chega e isso sempre é bem-vindo.

Já os tapetes emborrachados ou também conhecidos como tapetes de borracha, possuem funcionalidades e vantagens maravilhosas. Em uso doméstico, servem para amortecer o impacto caso alguém caia, ideal para casas com crianças ou idosos.

Ele é antiderrapante e garantem total segurança. E segurança sempre está em primeiro lugar. Segurança sempre é tendência! Servem também como forro de proteção de estúdios de ginástica, academias e até mesmo escritórios. Invista em segurança. A tendência 2019 é tapete emborrachado!

Lembra que uns parágrafos acima nós falamos sobre os tapetes serem suaves e ainda assim todos os percebem? O segredo? A constância e sutileza. Nada mais sutil do que colocar tapetes personalizados no elevador. É o lugar perfeito. Todos sobem ou descem por ele diversas vezes por dia e são incontáveis as pessoas que passam num elevador durante um dia. Eles proporcionam um ambiente agradável e seguro evitando o risco de tombos ou tropeções. Eles geram a sensação de aconchego na correria do dia na cidade.

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Fundador da Amazon, Jeff Bezos, anuncia divórcio

O bilionário Jeff Bezos, fundador da Amazon, anunciou nesta quarta-feira (9) em sua conta no Twitter que ele e sua mulher, MacKenzie Bezos, vão se divorciar. Bezos, de 54 anos, é a pessoa mais rica do mundo, segundo ranking da revista Forbes, com uma fortuna atualmente estimada em US$ 146,8 bilhões.

Na postagem assinada em conjunto, o casal diz que depois de um longo período de “separação informal” ficou decidido que eles “vão continuar a compartilhar suas vidas como amigos”.

“Nós nos sentimos incrivelmente sortudos de termos encontrado um ao outro e profundamente gratos por cada um dos anos durante os quais fomos casados. Se soubéssemos que íamos nos separar depois de 25 anos, faríamos tudo de novo. Tivemos uma ótima vida juntos como casal e também vemos um futuro maravilhoso à frente, como pais, amigos, parceiros em projetos, e como indivíduos buscando empreendimentos e aventuras. Apesar de os rótulos serem diferentes, continuamos uma família e amigos queridos”, diz a nota.

MacKenzie Bezos, de 48 anos, é romancista. Sua obra mais conhecida é “The Testing of Luther Albright”. Ela foi uma das primeiras funcionárias da Amazon e, em 2014, fundou a plataforma contra assédios ByStander Revolution.

O casal tem quatro filhos. Eles se conheceram quando os dois trabalhavam na empresa de investimentos D.E Shaw, de Nova York, muito antes de Bezos fundar a Amazon.

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Processo sobre o sítio em Atibaia contra Lula está chegando ao fim

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em breve, deve conhecer a sentença no caso do sítio de Atibaia, investigação da Operação Lava Jato.PUBLICIDADE

Na tarde desta terça-feira (8), os autos dos processos entraram em fase de conclusão. Não há prazo para que o magistrado responsável pelo caso dê a sentença.

Ao todo, são 13 acusados, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso desde 7 de abril, condenado em outra ação penal, a do triplex do Guarujá (SP). Emílio e Marcelo Odebrecht também estão sendo acusados.

De acordo com a acusação, a Odebrecht, a OAS e também a empreiteira Schahin, com o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, gastaram R$ 1,02 milhão em obras de melhorias no sítio em troca de contratos com a Petrobras.

O imóvel foi comprado no final de 2010, quando Lula deixava a Presidência, e está registrado em nome de dois sócios dos filhos do ex-presidente, Fernando Bittar – filho do amigo e ex-prefeito petista de Campinas Jacó Bittar – e Jonas Suassuna.

Em suas alegações finais, os advogados constituídos pela defesa de Lula apontam que o ex-presidente foi perseguido por Sérgio Moro e pela juíza Gabriela Hardt, além de supostas nulidades do processo. Lula sempre negou que seja o proprietário do sítio.

“É dizer: Trocaram-se os personagens, permanece a postura inquisitória e autoritária em relação ao Defendente, o qual segue sendo tratado e visto como um verdadeiro inimigo, cujas fala e manifestação devem ser, ao máximo, limitadas”, sustentam

Emílio Odebrecht cita Marisa Letícia

Nas alegações finais, Emílio Odebrecht afirma que a ex-primeira dama Marisa Letícia pediu obras na propriedade.

Já a  defesa de Marcelo pediu a suspensão da ação penal contra ele em razão de seu acordo de delação premiada. Segundo os advogados de defesa do empresário, o acordo firmado com a Procuradoria-Geral da República – e homologado pelo Supremo Tribunal Federal – estabeleceu que, após superada a pena de 30 anos, o Ministério Público Federal proporia a suspensão das ações penais contra Marcelo.

Ele já está condenado a mais de 30 anos em outros processos da Operação Lava Jato. Marcelo Odebrecht ficou preso em regime fechado durante dois anos e meio, entre junho de 2015 e dezembro de 2017. Agora, está em regime domiciliar.

O empresário também pediu a concessão de benefícios adicionais, como a redução do tempo de cumprimento de pena em regime semiaberto e aberto ou, ainda, que seja substituído o tempo restante de cumprimento de pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos.

Nas alegações finais, Marcelo Odebrecht sustentou que e-mails e depoimentos demonstram que ele não tinha relação direta com Luiz Inácio Lula da Silva e que não houve, por parte dele, nenhuma promessa de vantagem indevida para o ex-presidente em relação aos gastos com as obras do sítio de Atibaia.

Ainda segundo o empresário, sua relação com Lula sempre se deu por meio do ex-ministro Antonio Palocci e sob orientação de seu pai, Emílio Odebrecht, a quem, segundo ele, sempre coube a responsabilidade pelas tratativas com o ex-presidente.

Marcelo também afirmou nas alegações finais que acertou com Palocci um débito de R$ 15 milhões na Planilha Italiano para “acertos diversos” entre Emílio e Lula, mas que os mesmos não foram explicitados. Segundo ele, o débito poderia estar relacionado à “apoios financeiros” diversos, inclusive referentes à reforma do sítio de Atibaia.

Segurança capataz

Rogério Aurélio Pimentel, ex-segurança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas alegações finais, voltou a citar o recebimento de envelopes de dinheiro da Odebrecht e disse que foi “capataz” das obras feitas por empreiteiras no imóvel. O assessor afirmou que apenas cumpriu ordens da ex-primeira-dama Marisa Letícia e que não agiu fora das atribuições de seu cargo. Pimentel pediu à juíza federal Gabriela Hardt absolvição.

Segundo a força-tarefa da Operação Lava Jato, Pimentel teria ajudado a ocultar as supostas vantagens indevidas da OAS, Odebrecht e Schahin, quando tocou as reformas no sítio. Em alegações finais, ele afirma que “não participou da ocultação de patrimônio ou valor algum, apenas foi-lhe determinado funcionar como ‘capataz’ na reforma do famigerado sítio, ou seja, ver o andamento da obra e informar à Primeira-dama”.

MG: Zema quer cortar tudo o que pode e reduzir impostos

Em entrevista exclusiva à RecordTV Minas e aoPortal R7 Minas, concedida na manhã desta quarta-feira (9), o governador Romeu Zema (Novo) afirmou que vai enviar, nos próximos dias, um pacote de projetos de leis para Assembleia Legislativa. A ideia é reduzir custos da máquina e aumentar o caixa. Entre as propostas previstas, a diminuição do orçamento dos poderes e a privatização de empresas estatais, incluindo a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). 

Zema prometeu que, assim que as contas públicas forem sanadas, a ideia é diminuir impostos. Sobre como pretende “cortar na carne”, disse que não existe outra saída senão decepar até o limite possível. Em relação ao relacionamento com os 77 deputados estaduais, declarou que só não vai dialogar com aqueles que recusarem. Ele falou sobre a perspectiva de quitar o 13º e salário do funcionalismo.

Ao estilo Zema em campanha, sem terno e gravata, vestido com camisa social e calça jeans, utilizando metáforas para comentar o atual momento de grave, o chefe do segundo maior colégio eleitoral do país recebeu nossa equipe na sala principal de reuniões do prédio Tiradentes, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. 

Leia abaixo a íntegra da entrevista: 

No discurso de posse, chamou atenção quando o senhor propôs um pacto entre os poderes para reduzir os custos da máquina. Gostaria que o senhor detalhasse, por gentileza, como será feito esse pacto?

O que nós vamos fazer e precisamos fazer porque Minas não tem outra saída a não ser essa é uma redução drástica como nunca houve no Estado em relação ao custeio.  Principalmente de pessoal e de aposentadoria, e isso vai envolver o envio para Assembleia Legislativa  de várias leis que o Executivo vai propor nesse sentido. Lembrando que muitas dessas serão uma imposição do Tesouro Nacional para que ele venha fornecer mais recursos para Minas. Recursos esses que são essenciais para que o Estado tenha viabilidade nos próximos meses. Então conto muito com a sensibilidade dos deputados estaduais para aprovarem  essas leis. E conto também não só com o Judiciário, como os outros poderes  também, o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado, que não deixam de ser quase que poderes à parte, parar reverem também os seus custos. Porque no Executivo nós vamos dar a lição, em breve vamos apresentar números, em alguns lugares aqui no Poder Executivo nós conseguimos reduzir mais de 80% de pessoal. Brevemente nós vamos relatar isso.

O senhor já tem a real situação financeira do Estado, quais serão as medidas iniciais para tentar recolocar as contas no eixo e garantir a governabilidade?

Aquilo que está ao alcance do Executivo já estamos adotando que é uma redução dramática de pessoal, de valores de contratos. Mas as grandes reformas como disse dependem do Legislativo. São reformas que vão afetar o custeio do Estado numa intensidade bem maior que essa que estamos fazendo. Já estou em contato com muitas empresas para dinamizarmos a economia de Minas, mas isso tudo leva um certo tempo. Tenho dito o seguinte: assumir um Estado como Minas é a mesma coisa que assumir um prédio de 50 andares deteriorado e precisando de reformas. Você não vai conseguir deixar essa reforma concluída em dois meses. É uma tarefa para um ano, dois anos.

O senhor poderia citar uma dessas propostas que pretende levar ao Legislativo?

Uma delas é privatizar as empresas estatais. As empresas estatais, está clarissímo, são usadas com finalidade política para dar cargos a apadrinhados. Quero ser o governador de Minas que mais vai perder poder no mandato. Quero entregar um governo muito mais enxuto porque essas empresas esqueceram que elas existem para atender os clientes. Qualquer indústria hoje que presta energia elétrica para Cemig vai levar dois anos para ter essa energia e o Estado poderia ainda concentrar, focar naquilo que é importante para a população. Então existe um desvio, nós tivemos os últimos governadores de Minas muito focados em Cemig, Copasa, em empresas do Estado e pouco focados na máquina pública que realmente traz retorno para a população, que é saúde, segurança e educação.

A Cemig está incluída no projeto de privatização?

Sim, diria que o Tesouro Nacional dentro da renegociação da dívida com o Estado de Minas, ele exige que empresas do Estado sejam privatizadas. Na lei não está claro o grau de exigência, mas é objetivo nosso que o Estado foque naquilo que realmente traz retorno para a população, que é saúde, segurança e educação.

Durante a campanha, o senhor já tinha a noção que a situação econômica e estrutural do estado era tão grave?

Já imaginava, mas a medida que você vai se inteirando, a medida que você vai vendo mais detalhes, você fica mais assustado. Porque você não pensa que o monstro é tão grande assim. Mas para tudo tem jeito, só para morte que não tem. Países que foram destruídos por guerras conseguiram se recuperar e Minas Gerais está intacta. Está faltando é lubrificar essa máquina tão potente que é o Estado.

Em outro ponto no discurso de posse, o senhor falou que vai cortar na carne. Na prática, como será feito isso?

Significa que vamos reduzir a estrutura do Executivo até o limite. Tem lugar que vai ultrapassar os 80%, tem lugar que é 100%. Vou dar exemplo. Ao invés de morar no palácio do governo, que sempre foi a residência oficial, vou morar na minha casa. Pelo que me consta até o momento lá existiam 37 funcionários. Esses 37 serão zero a partir de agora porque vou contratar que vai trabalhar comigo, que deve ser apenas uma pessoa. Aquilo que vou exigir de todo mundo estou fazendo.

Dentro de uma perspectiva da nova política,  como o senhor vislumbra a relação do governo com o Legislativo?

Vejo que tem sido a melhor possível. Tenho recebido aqui os deputados de todas as bancadas. Aqueles que ainda não vieram serão convidados. Só não vou ter contato com aqueles que se negarem a ter, mas tenho mostrado para eles a gravidade da situação tenho deixado muito claro: nós estamos no mesmo barco, se nós não tomarmos agora um copo de remédio amargo, daqui um ano teremos que tomar um litro de remédio amargo. Se não tomarmos daqui um ano um litro, daqui dois anos serão dois litros. Não tem como ser diferente. Ou Minas adota essas medidas de austeridade, que inclusive o tesouro vai propor ou então temos saída. É inviável o Estado sem essas medidas.

Seu líder na Assembleia Legislativa, deputado Guilherme da Cunha, do partido Novo, solicitou a retirada de emenda que permitia a redução do ICMS no caso da gasolina. Essa medida não é contra uma de suas mais importantes promessas de campanha, a redução de impostos? 

Nós queremos reduzir impostos, mas é inviável nesse momento em que o Estado está quebrado. Assim que as contas forem sanadas a nossa proposta é ir reduzindo. Lembrando que essa redução era uma redução dramática, uma queda substancial, vejo que os ajustes são feitos gradativamente. Ninguém que está obeso emagrece 50 Kg de um dia para o outro.

Qual a avaliação sobre a reativação do Aeroporto da Pampulha. O governador é a favor ou contra?

O que tenho conhecimento até o momento é que o aeroporto atual está atendendo bem, tem capacidade de crescer no que diz respeito a questão de movimento. Então por hora vejo que termos dois aeroportos poderia siginificar uma perda para Belo Horizonte.

Obras de hospitais regionais estão paradas, no Ipsemg faltam médicos e material básico, o programa Fármacia de Minas está quase parado devido a falta de pagamento de fornecedores. Como resolver esses problemas, governador?

Esse problema está dentro do contexto de falta de recursos. Quando falta recursos para um pai de família, a famíla dele vai prejudicada no que diz respeito a alimentação, a remédio, a manutenção da casa, gasolina no carro, tudo começa a ficar comprometido.  A situação do Estado é semelhante a essa, é logico que casos como o da saúde serão priorizados porque se trata de uma questão de vida ou morte.

Em relação ao pagamento do 13º, o senhor tem uma previsão mais certa do pagamento?

O que mais gostaria é dizer ao servidor que vamos pagar amanhã. Mas como se paga se não há o recurso disponível. Faz uma semana que assumimos o Estado, estamos fazendo todas as projeções para poder darmos uma previsão para o servidor. Mas uma coisa que posso adiantar é a seguinte: assim que a renegociação da dívida com o governo federal for realizada, esse pagamento será agilizado. Talvez vamos começar com parcelamento pequeno, e assim que isso for feito esse parcelamento vai ser feito rapidamente. Gostaria de fazer isso o quanto antes, sei como isso tem feito falta para o servidor, muitas pessoas contavam com isso e ficaram sem esse recurso.

Numa projeção realista quando os salários serão pagos em dia?

Estamos enfrentando o problema do cobertor curto. Você cobre os pés e descobre a cabeça e vice e versa. Estado tem que pagar o funcionalismo , tem que fazer os repasses para as prefeituras e os recursos não são suficientes. Essa situação ainda vai perdurar até que  o Estado esteja sanado financeiramente. E esse saneamento só será feito dentro de alguns meses após a conclusão do acordo com o Tesouro Nacional. Infelizmente não posso prometer nada diferente para os próximos meses e vale lembrar que estamos sendo totalmente transparentes. Os números das contas do Estado estão disponíveis e nós não temos como pagar aquilo que não tem.

O déficit de 30 bilhões do Estado é uma realidade ou é ainda maior?

Te diria que esse é o número que nós precisariamos esse ano para equacionar a questão financeira de 2019. É pagar aquilo que ficou atrasado e ainda taparmos o rombo desse ano. Então esse número é verdadeiro, são 30 bilhões de reais. Trinta bilhões resolveria o problema do Estado até 31 de dezembro de 2019, mas não resolveria para frente.

Por fim, qual mensagem o senhor deixa para população?

Apesar de estarmos aqui apenas uma semana, já fizemos melhorias. Mas a população não percebe a melhoria de um dia para o outro. Posso dizer o que fiz. Não vou morar no palácio do governador, estou mudando para minha casa daqui duas, três semanas. No palácio do governador apenas para servir havia uma equipe de 37 servidores. Essa equipe é zero a partir de agora. Vou morar na minha casa, e na minha casa você que paga imposto não vai assumir nenhum compromisso. É nisso que acredito, cada um tem de fazer esforço e desse jeito vamos dar conta do recado aqui em Minas.

João de Deus vira réu por crimes sexuais e Justiça bloqueia R$ 50 milhões

O médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, virou réu nesta quarta-feira (9) pelos crimes de estupro de vulnerável e violação sexual. A juíza Rosângela Rodrigues dos Santos, da comarca de Abadiânia do TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás), aceitou a denúncia oferecida em dezembro pelo MP (Ministério Público) de Goiás. O teor da decisão da magistrada não foi divulgado porque o processo está sob sigilo. Essa é primeira denúncia oferecida pela força-tarefa do MP-GO (Ministério Público de Goiás) contra o médium e se refere a quatro crimes sexuais investigados pelos promotores e pela Polícia Civil. Nela, estão presentes, de acordo com o MP, depoimentos de outras 15 vítimas do réu.
Com o recebimento da denúncia pelo Judiciário, o médium deixa de ser investigado e passa a ser réu. Em nota, o promotor Luciano Miranda, que integra a força-tarefa, informou que agora tem início a fase de defesa preliminar, seguida pela instrução processual, a qual envolve a oitiva de testemunhas, de vítimas e um novo interrogatório. Ao final dessa fase, é proferida a sentença.
Em outra ação, de natureza cível, também a pedido do MP goiano, a mesma juíza procedeu o bloqueio de bens do réu no valor de R$ 50 milhões, entre valores em contas bancárias e em imóveis. O bloqueio já havia sido acatado em dezembro; agora, se trata do cumprimento dele. Para a Promotoria, a medida visa a garantir ressarcimento de possíveis danos morais coletivos e danos individuais sofridos pelas vítimas, em caso de posterior condenação do réu.
Em nota ao UOL, o advogado Alberto Toron, que defende o médium, disse que ainda não foi notificado da decisão, mas de que a defesa e o cliente estão serenos e confiantes na Justiça.”De qualquer modo, é importante esclarecer que se trata de uma decisão provisória, sujeita à confirmação após a apresentação da resposta à acusação”, pontuou Toron. João de Deus está preso preventivamente desde o dia 16 de dezembro em Goiânia e nega as acusações. Segundo o TJ-GO, o caso em que o médium virou réu envolve quatro vítimas. Ele responde pelos crimes de violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável.
O MP acusou o médium por dois casos de violação sexual mediante fraude e por outros dois por estupro de vulnerável. Todos os casos datam de 2018, sendo o mais recente de outubro deste ano.
Em depoimento à Promotoria, João de Deus disse não se lembrar das mulheres que o acusam. Ele também negou ter cometido qualquer crime em seus atendimentos espirituais.
Em dezembro, operações da Polícia Civil apreenderam armas e dinheiros em endereços ligados ao médium. Desde que as primeiras denúncias vieram à tona, a promotoria montou uma força-tarefa junto à Polícia Civil para apurar as denúncias dos abusos cometidos pelo médium e recebeu ao menos 500 acusações de mulheres contra João de Deus.